Recursos para o bem-estar digital

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Lídia Marôpo

Um grande desafio para crianças e jovens (e para adultos também!) na era digital é garantir uma relação saudável com as tecnologias, equilibrando as oportunidades com riscos para a saúde física, mental e social. Por outras palavras, procura-se o bem-estar digital. Em ligação com atividades CriA.On disponíveis brevemente nos Recursos, apresentamos aqui orientações para a gestão do tempo online, o consumo e a produção de conteúdos.

O bem-estar digital depende de vários fatores: 

  • O tempo que passamos nos dispositivos;
  • A forma como nos comportamos online;
  • Como interagimos com os outros e como os outros interagem connosco;
  • Conteúdos e situações a que nos expomos;
  • Tudo aquilo que nos influencia;
  • Como utilizamos a tecnologia para alcançar os resultados desejados. 

Quem é responsável pelo bem-estar digital de crianças e jovens?

Governos, indústrias digitais e reguladores são responsáveis por adotar medidas estruturais para garantir um ambiente digital mais seguro e acolhedor para os mais novos. Por exemplo, políticas de educação e de inclusão digital que promovam programas de literacia adequados ao nível de desenvolvimento das crianças e jovens (começando pela idade pré-escolar) e que incluam as famílias; design de aplicações e plataformas que garantam acessibilidade e segurança; monitorização e avaliação de impactos. 

Ao mesmo tempo, comunidades, escolas, pais e os próprios jovens, de acordo com a sua maturidade, podem dinamizar e implementar estratégias de promoção do bem-estar digital.

O que podemos fazer?

Sugerimos orientações para atividades que podem ser desenvolvidas em contexto escolar, familiar ou comunitário em três áreas fundamentais das experiências digitais infantojuvenis (mas que não lhes são exclusivas). 

1. Gestão do tempo online;

2. Consumo de conteúdos; 

3. Produção de conteúdos.

Para cada área, a série Bem-Estar Digital, nos Recursos CriA.On, apresenta propostas de atividades a desenvolver nos vários ambientes, dinamizadas por adultos ou por jovens interessados, intervindo junto de outros jovens. Por isso, os designamos como Dinamizadores e Participantes.

Num processo interativo, gostaríamos de contar com a sua colaboração com sugestões outras interações que não tenham sido elencadas para cada área.

Área 1. Online e offline: equilíbrio saudável

Orientações para uma melhor gestão do tempo online que permita um uso equilibrado em relação às atividades offline quotidianas:

  • Silenciar as notificações;
  • Estabelecer limites: não usar nas refeições, antes de dormir, ao acordar, nas interações sociais, quando precisa de se concentrar;
  • Fazer pausas regulares;
  • Definir um lembrete para se desconectar;
  • Monitorizar o tempo online;
  • Refletir criticamente sobre o design das plataformas, sair do piloto automático e usar os dispositivos de modo consciente; 
  • Viver o momento: prestar atenção às experiências presentes e ao que está a volta e evitar o phubbing
  • Outra…

Recursos: Atividades da Área 1 na série Bem Estar Digital.

Área 2. Consumo de conteúdos: selecionar influências positivas

Orientações para uma seleção criteriosa de conteúdos consumidos online que contribuam positivamente para o bem-estar:

  • Reconhecer conteúdos que inspiram vs. conteúdos prejudiciais;
  • Selecionar conteúdos/pessoas que inspiram online;
  • Limpar conteúdos: o que seguir e não seguir;
  • Identificar e denunciar discursos de ódio e bullying;
  • Perceber quando está a ser ‘fisgado’;
  • Sair da filter bubble;
  • Evitar a desinformação;
  • Outra.

Recurso: Atividades da Área 2 na série Bem Estar Digital.

Área 3. Produção de conteúdos: expressão saudável

Para uma expressão apropriada na internet, que respeite os direitos dos outros, sugerimos as orientações abaixo para a produção de conteúdos digitais: 

  • Valores e regras offline são os mesmos online;
  • Refletir antes de postar;
  • Não ao body shaming;
  • Sim às conexões e não às comparações;
  • Ser autorreflexivo: estou a praticar bullying?;
  • Saber onde denunciar;
  • Outra.

Recurso: Atividades da Área 3 na série Bem Estar Digital.

Competências centrais 

As orientações acima e as atividades que lhes estão associadas auxiliam no desenvolvimento de competências centrais para a promoção do bem-estar digital: 

  • Autorregulação no uso das tecnologias digitais; 
  • Visão crítica sobre as plataformas digitais, o seu modelo de negócio, os conteúdos que produzem, as suas lógicas de captação de audiências;
  • Seleção de conteúdos que promovem o bem-estar digital, substituindo a comparação por inspiração nas redes sociais; 
  • Reconhecimento, prevenção e denúncia de discursos de ódio, identificação de desinformação e adoção de medidas de segurança digital.

Nota: Esta proposta para promover o bem-estar digital em três eixos, bem como as atividades relacionadas, foram concebidas e apresentadas por Lídia Marôpo no Módulo 2 do II Curso de Curta Formação CriA.On: Smartphones nas Escolas: um debate para além do proibir 


Os recursos estarão brevemente disponíveis.

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Sobre a Autora

Lídia Marôpo

Professora Coordenadora - Instituto Politécnico de Setúbal. CICS.NOVA

Tendo como base os direitos das crianças, investiga sobre a sua representação e consumo de notícias, conhecimentos e práticas digitais enquanto produtoras e consumidoras de conteúdos.