
Lynn Alves
3 de Abril, 2025
Governos, instituições não governamentais, investigadores e sociedade civil têm debatido formas de regulamentar as plataformas digitais, a fim de garantir que sejam espaços éticos e seguros. Crianças e adolescentes merecem especial atenção, já que as usam muito, para entretenimento e/ou atividades escolares. Uma das plataformas mais procuradas são os jogos digitais. Mas como proteger nestes ambientes interativos e interconectados?
Para além das políticas públicas voltadas para segurança e proteção, importa criar processos formativos para que pais, encarregados de educação, crianças e adolescentes compreendam por que nos devemos proteger e como criar estratégias para estar seguros.
Os processos formativos podem contribuir para o desenvolvimento da literacia dos dados digitais, que consiste na capacidade de entender como ocorre o processo de recolha de dados para tomar decisões que assegurem a proteção e segurança dos utilizadores, seja qual for a faixa etária e os ambientes digitais.
Exemplos de acesso aberto e disponíveis em inglês
Duas instituições internacionais, a Agência Dinamarquesa de Proteção de Dados e o Gabinete de Proteção de dados do Canadá, criaram recursos que estão próximos do universo dos mais novos, a fim de os orientar sobre o que é a proteção de dados, os riscos existentes e como estar e sentir-se em segurança nas plataformas digitais, em especial nos jogos digitais.
The Data Challenge
A agência dinamarquesa desenvolveu o jogo The Data Challenge, um quiz com perguntas e respostas para identificar o que crianças e adolescentes já sabem sobre o processo de dataficação e como se podem proteger da recolha e extração de dados nos ambientes virtuais. O jogo pode ser jogado diretamente no navegador, apresenta três fases e está disponível em dinamarquês e inglês.
Na primeira etapa, o jogador interage com conceitos e definições (14 perguntas) sobre o que é a proteção de dados, a diferença entre dados pessoais e sensíveis, e outros pontos relevantes. Ao responder às perguntas, o jogador deve selecionar a opção que considera correta e o sistema assinala a verde as respostas certas e a vermelho as erradas.
As próximas etapas, Direitos e Nível Avançado, têm cada uma 11 perguntas. Na primeira, o jogador deve identificar os seus direitos como cidadão no que se refere à proteção de dados. Na segunda, são colocadas questões com base em situações do quotidiano, em que o jogador deve indicar a melhor resposta.
A linguagem do jogo é acessível e incentiva à reflexão. Além disso, existem materiais de apoio para que professores e educadores possam trabalhar estas questões com os alunos. The Data Challenge jogo faz parte de um pacote educacional destinado a crianças dos 10 aos 12 anos.
Online gaming is fun, right?
No vídeo produzido pelo Gabinete de Proteção de dados do Canadá e disponível no YouTube, Zarzan, o protagonista, enfrenta desafios e missões para proteger os seus dados no universo digital. O vídeo procura orientar as crianças sobre como proteger os seus dados, usando uma linguagem acessível e um formato inspirado na dinâmica dos jogos.
Este Gabinete do Canadá também disponibiliza outros materiais com dicas para proteger os dados pessoais e para apoiar professores na abordagem do tema.
Estas iniciativas estão alinhadas com as orientações da Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD), que supervisiona o cumprimento do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (GDPR) em Portugal, com um foco especial na proteção dos direitos das crianças e adolescentes e de que já falamos neste jornal, nomeadamente:
Apesar de se apresentarem em inglês, convidamos pais, encarregados de educação, professores e as próprias crianças e adolescentes a explorarem os ambientes digitais e os projetos apresentados. Desse modo, poderão ampliar a compreensão do fenómeno da dataficação na sociedade contemporânea e desenvolver práticas de literacia do dado (Wolff et al, 2016).
Também o livro The Platformization of the Family, em acesso aberto, convida à reflexão sobre o papel das plataformas digitais na vida social e as suas implicações para as famílias.
Referências internacionais
European Union Commission. (n.d.). Legal framework: EU data protection. https://commission.europa.eu/law/law-topic/data-protection/legal-framework-eu-data-protection_en
Federal Trade Commission. (2023). Children’s online privacy protection rule; final rule. https://www.ftc.gov/system/files/2012-31341.pdf
Information Commissioner’s Office. (2022). Age-appropriate design: A code of practice for online services. https://ico.org.uk/for-organisations/uk-gdpr-guidance-and-resources/childrens-information/childrens-code-guidance-and-resources/age-appropriate-design-a-code-of-practice-for-online-services/
Office of the Privacy Commissioner of Canada. (2024). Gaming and personal information: Playing with privacy. https://www.priv.gc.ca/en/privacy-topics/technology/mobile-and-digital-devices/digital-devices/gd_gc_201905/
Sefton-Green, J., Mannell, K., & Erstad, O. (Eds.). (2025). The platformization of the family: Towards a research agenda. Palgrave Macmillan.
Zaffaroni, L. G. (2024). “Privacy is overrated”: Situating the privacy-related beliefs and practices of Italian parents with young children. Surveillance & Society, 22(4), 410-427. https://ojs.library.queensu.ca/index.php/surveillance-and-society/index
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Sobre a Autora
Lynn Alves
Professora na Universidade Federal da Bahia, vinculada ao Instituto de Humanidades, Arte e Ciência
Professora na Universidade Federal da Bahia, está vinculada ao Instituto de Humanidades, Arte e Ciência e coordena a Rede de Pesquisa de Comunidades Virtuais.
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